O que é alíquota efetiva do Simples Nacional?
Atualizado em agosto de 2026
Quando você abre uma empresa no Simples Nacional, o imposto não é um percentual fixo. A tabela mostra uma alíquota nominal (ex.: 6%), mas o que você paga de verdade é a alíquota efetiva — que quase sempre é menor. Quem fatura pouco paga proporcionalmente menos; conforme a empresa cresce, a alíquota sobe aos poucos, sem "saltos" bruscos de uma faixa para outra.
A fórmula oficial
O cálculo usa a RBT12 — a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses:
Alíquota efetiva =
[(RBT12 × alíquota nominal) − parcela a deduzir] ÷ RBT12
A alíquota nominal e a parcela a deduzir vêm da tabela do anexo em que a sua atividade se encaixa. Os mais comuns:
- Anexo I — comércio (lojas em geral): começa em 4%
- Anexo II — indústria (fábricas): começa em 4,5%
- Anexo III — serviços (salão, academia, manutenção, medicina, odontologia): começa em 6%
- Anexo IV — serviços específicos (construção, limpeza, advocacia): começa em 4,5%, mas o INSS patronal é pago à parte
- Anexo V — serviços intelectuais (tecnologia, engenharia, publicidade): começa em 15,5% — mas veja o Fator R logo abaixo
Tabela do Anexo I (comércio) — 2026
| Receita em 12 meses (RBT12) | Alíquota nominal | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 180.000 | 4,0% | R$ 0 |
| R$ 180.000,01 a R$ 360.000 | 7,3% | R$ 5.940 |
| R$ 360.000,01 a R$ 720.000 | 9,5% | R$ 13.860 |
| R$ 720.000,01 a R$ 1,8 milhão | 10,7% | R$ 22.500 |
| R$ 1,8 a R$ 3,6 milhões | 14,3% | R$ 87.300 |
| R$ 3,6 a R$ 4,8 milhões | 19,0% | R$ 378.000 |
Repare: na primeira faixa não há parcela a deduzir, então a alíquota efetiva é os próprios 4%. A dedução só entra a partir da segunda faixa — é ela que evita o salto brusco de imposto quando a empresa muda de faixa.
Tabela do Anexo III (serviços) — 2026
| Receita em 12 meses (RBT12) | Alíquota nominal | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 180.000 | 6,0% | R$ 0 |
| R$ 180.000,01 a R$ 360.000 | 11,2% | R$ 9.360 |
| R$ 360.000,01 a R$ 720.000 | 13,5% | R$ 17.640 |
| R$ 720.000,01 a R$ 1,8 milhão | 16,0% | R$ 35.640 |
| R$ 1,8 a R$ 3,6 milhões | 21,0% | R$ 125.640 |
| R$ 3,6 a R$ 4,8 milhões | 33,0% | R$ 648.000 |
Exemplos calculados passo a passo
1. Loja de roupas começando (Anexo I — comércio)
Receita acumulada em 12 meses (RBT12): R$ 80.000 · 1ª faixa: alíquota nominal 4%, parcela a deduzir R$ 0
Efetiva = [(80.000 × 4%) − 0] ÷ 80.000 = 4%
Se a loja faturar R$ 8.000 neste mês, o DAS será de aproximadamente R$ 320.
2. Psicóloga com consultório (Anexo III — serviços)
RBT12: R$ 150.000 · 1ª faixa: nominal 6%, deduzir R$ 0
Efetiva = [(150.000 × 6%) − 0] ÷ 150.000 = 6%
Faturando R$ 12.500 no mês, paga cerca de R$ 750 de DAS.
3. Agência de serviços crescendo (Anexo III — 2ª faixa)
RBT12: R$ 250.000 · 2ª faixa: nominal 11,2%, deduzir R$ 9.360
Efetiva = [(250.000 × 11,2%) − 9.360] ÷ 250.000 = 18.640 ÷ 250.000 = 7,46%
Veja como funciona: a tabela diz 11,2%, mas a empresa paga 7,46% de verdade. Faturando R$ 20.000 no mês, o DAS fica em torno de R$ 1.491.
4. Comércio consolidado (Anexo I — 3ª faixa)
RBT12: R$ 600.000 · 3ª faixa: nominal 9,5%, deduzir R$ 13.860
Efetiva = [(600.000 × 9,5%) − 13.860] ÷ 600.000 = 43.140 ÷ 600.000 = 7,19%
Faturando R$ 50.000 no mês, paga cerca de R$ 3.595 de DAS.
A alíquota sobe devagar, não em saltos
A ilustração abaixo mostra a alíquota efetiva de um comércio (Anexo I) em quatro momentos de crescimento. Mesmo mudando de faixa na tabela, o imposto real sobe de forma gradual:
E se a empresa acabou de abrir?
Sem 12 meses de história, usa-se a proporcionalização: no primeiro mês, a receita do próprio mês é multiplicada por 12. Exemplo: faturou R$ 10.000 no primeiro mês → RBT12 proporcional de R$ 120.000 → 1ª faixa. Nos meses seguintes, usa-se a média mensal das receitas anteriores × 12, até completar um ano de vida.
Fator R: o "desconto" das empresas de serviço
Muitas atividades intelectuais (tecnologia, engenharia, consultoria) caem por padrão no Anexo V, que começa em pesados 15,5%. Mas existe o Fator R: se a folha de pagamento (salários + pró-labore + encargos) dos últimos 12 meses for igual ou maior que 28% da receita do mesmo período, a empresa é tributada pelo Anexo III, que começa em 6%.
Na prática: um desenvolvedor com empresa faturando R$ 10.000/mês que paga a si mesmo um pró-labore de R$ 2.800/mês atinge o Fator R e pode cair de ~15,5% para ~6% de imposto. É um dos planejamentos mais comuns que o contador faz.
Perguntas frequentes
O que é alíquota efetiva do Simples Nacional?
É o percentual real de imposto que a empresa paga sobre o faturamento do mês. Ela é calculada com a receita acumulada dos últimos 12 meses (RBT12) e quase sempre é menor que a alíquota nominal da tabela.
Qual a fórmula da alíquota efetiva?
Alíquota efetiva = [(RBT12 × alíquota nominal) − parcela a deduzir] ÷ RBT12. RBT12 é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses; a alíquota nominal e a parcela a deduzir vêm da tabela do anexo da sua atividade.
Empresa nova, sem 12 meses de faturamento, calcula como?
No primeiro mês, multiplica-se a receita do próprio mês por 12 para achar o RBT12 proporcional. Nos meses seguintes, usa-se a média mensal das receitas anteriores multiplicada por 12, até completar 12 meses reais de atividade.
O que é o Fator R?
É a divisão da folha de pagamento (incluindo pró-labore) pela receita dos últimos 12 meses. Se der 28% ou mais, várias atividades de serviço saem do Anexo V (que começa em 15,5%) e vão para o Anexo III (que começa em 6%) — uma economia enorme.
Qual o limite de faturamento do Simples Nacional?
R$ 4,8 milhões por ano. Acima disso a empresa é desenquadrada e passa para Lucro Presumido ou Lucro Real. O MEI tem limite próprio, de R$ 81 mil por ano.
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Importante: este conteúdo é educativo e usa as tabelas oficiais da Lei Complementar 123/2006, vigentes em 2026. O cálculo exato da sua empresa (anexo correto, Fator R, ISS retido, ICMS-ST) é responsabilidade do seu contador — este material ajuda você a entender o que ele faz.